segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Ceticismo

"Eu nao acredito em contos de fadas,  príncipes encantados ou amores perfeitos. Não acredito em era uma vez, em foram felizes para sempre e em os declaro marido e mulher. É assim. Não acredito e ponto final.
Me chame de cética, se melhor lhe convir, pois de fato o sou, o que pode magoar quem espera que eu acredite. Mas me desculpe, não é por mal. Eu realmente queria que acreditar fosse algo fácil,. Já até foi, em um dia muito distante, mas isso faz hoje parte da história de uma outra vida, de uma outra Amanda. E desde então esse meu ceticismo nunca foi muito facilmente superado.
Eu devia saber, que suas intenções são as melhores, que cada palavra do que você diz é despida de mentiras e que seus pequenos gestos para me agradar são simplesmente pra isso e não para conseguir qualquer coisa em troca, como teimo em pensar. Mas eu não acredito. E não adianta fazer cara de afetado, porque eu também não acredito nela. Não creio que essa afetação seja em seus sentimentos como você afirma em seu discurso emocionado, mas que seja sim simples questão de um ego não afagado. De um ego que se pergunta o porrquê de eu não acreditar numa pessoa tão direita e bem intencionada como você.
Sim, sim...É assim que eu penso, e você precisa entender que não é por mal, mas que não é tão fácil assim acreditar depois de ter a cara quebrada reiteradamente. É preciso de um tempo muito grande para as cicatrizes diminuirem. E enquanto isso eu me blindo ao me transvestir com várias camadas, cada vez mais duras, cada vez mais espessas para evitar que novas feridas me risquem a pele. Eu preciso me certificar de que você vai fazer parte de mim de uma forma suave, eu preciso ter certeza de que você vai ser como um sopro de carinho no meu rosto e de que vai se instalar com delicadeza em minha história. Eu não quero correr riscos outra vez. É por isso que eu tenho que ter dia após dia a minha confiança exaustivamente conquistada e reconquistada. E isso enche as vezes, a você,  eu sei. E a mim também, eu confesso. Mas são condições que as vezes a vida nos impõe.
Tudo isso se expõe aos seus olhos como indiferença, frieza, ostilidade. E essas coisas magoam, é compreensível. Tão compreensível como entender que essa é uma exposição de aparências e não de essência. Não sou indiferente. Nenhum pouco! Ao contrário, a todo momento eu me pego notando as evidências de quão bem você me faz. O difícil é me apegar a essa verdade em detrimento das mentiras que eu invento enxergar. E isso é justamente porque eu sinto muito. E sinto tanto, que me dói o simples pensamento de me enganar, me magoar, me decepcionar. E é por isso que eu me distancio como posso. Tento nao me machucar.
Me desculpe, mais uma vez, mas juro que tô tentando."

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O amor que encomendei

Compro o amor recorrentemente desde criança.
Nas livrarias e nas salas de cinema.
E ainda quando em falta nos estoques, me invadia pela novela das nove, pelos contos de fada, pela sessão da tarde, pela vida dos outros que eu observava. E eu o comprava prontamente. Comprei todas as formas, modelos e tamanhos. Botei fé na idéia, vesti a camisa. Acreditei veemente no amor.
Acreditei no sentimento lindo onde se importa mais em dar do que em receber. Onde  outro é o seu mundo e você é o mundo do outro. Acreditei na vontade ininterrupta de estar junto, de compartilhar momentos e experiências. Acreditei no estado de graça única. Acreditei no sublime.
Então cansada de comprar os amores de estranhos que via brilhando nas vitrines por aí, resovil-me por querer um apenas para mim. O pedi de Natal para Papai Noel. Reservei uma das sete ondinhas só pra ele toda virada de ano. Um pedido ao soprar das velas nos aniversários. O desejei a cada cílio esfregado no peito.
E resolvi esperar a encomenda. Até agora. Até hoje, quando ela finalmente chegou e finalmente experimentei o amor que era meu, foi que eu lembrei o quanto eu odeio criar expectativas. Pois o esperado e a realidade quase nunca se encontram. Sobram vazios de decepções.
E da minha experiência concluí que talvez o amor não seja mesmo para mim. Ou melhor, eu não seja para ele. Não tenho o nível de altruísmo necessário para amar alguém. O que me sobra é apenas o egoismo de querer ser desesperadamente amada. E me falta humildade para aceitar o amor que tenho e nao o que quero.
Sim, complicado. Me sobrevém lágrimas, soluços, angústias e desesperos. Nada tão simples, delicado ou prazeroso como aqueles que eu comprei.
Será que a encomenda que demorou tanto a chegar veio com defeito? O que diz o código de defesa do Consumidor?
Posso trocar?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Gritos

Os desesperos mais profundos estão gritando dentro de mim.
Há algum tempo venho tentando ingnorá-los com sons mais altos que me distraiam.
Mas tem uma hora que os remédios sonoros cessam o efeito e então fica difícil viver numa profusão tão imensa de tantas exclamações, que gritam em silêncio e ensurdecem sem emitir som algum.
Tento tapar forte os ouvidos, confortar os tímpanos, calar a dor. Mas eles encontram frestas pequenas por onde escapam prontamente e continuam com a confusão dentro de mim.
Parece nunca ter fim.
Na calmaria das palavras que susurram ao meus ouvidos, tento me acalmar para encontra solução. Mas elas também gritam. Gritam para o mundo. Um grito de Socorro!
Salvem-me!

domingo, 7 de agosto de 2011

Angústia

Essa angústia que surge pequena...Só uma coceirinha no meu coração.
Tão logo passaria se não fosse outra irremediável decepção.
Mas essa nunca falha. Chega certeira e coça a coceira! Trasforma-se em aperto envolto ao meu coração. E aperta forte, tão forte! É a mesma força da mão que expreme a laranja, tentando fazê-lo (o coração) sangrar. E quando acho que enfim ele não aguentará e explodirá em vermelho, a mão afrouxa um pouco e a dor se espalha pelo peito. Toma tudo. Faz o pulmão gelar e a respiração quase parar. Pura tensão, que desce rápido ao estômago e tão logo sobe azeda pela garganta até atingir o começo da língua, que ao primeiro toque se estica, saliva, se agarra ao céu da boca .
O cenho franze e os olhos, então, também não mais aguentam, respondem ao mecanismo angustiado do resto do corpo. Embargam...marejam... derramam densas lágrimas quentes que em sua volúpia e intensidade trazem o soluço contido. Todo o resto se revira, se contorce, se encolhe, tentando se proteger desse sentimento que toma o controle, suprime os pensamento sensatos, esconde as perspectivas e as boas lembranças em detrimento exclusivo da dor.
Esse sentimento de dor... Dor de angústia.... Que vem do nada, que vai pro nada, que serve pra nada!
Dessa dor que só faz inutilmente sofrer e que tenho de esperar ir embora...
Vai...
Passa...
Chega!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

E se eu não vou com a minha cara?

Devo confessar: Eu mesma não teria o menor interesse em mim.

Tal afirmativa pode soar estranha ou precipitada. Colocada aqui, logo na introdução, simplesmente para causar o choque inicial que prende vossa atenção. Mas garanto não ser. Passa longe da mera figura retórica que pretende impressionar-vos. São sim conclusões tiradas após anos de trabalho de campo da minha convivência comigo mesma.  E a verdade é que sou insuportavelmente mesquinha. Chata. Entediante.  Insuportavelmente Blasée.

Vos falo isso aqui, em público, não sem algum medo de conseguir convencê-los, já que dadas as circunstâncias não me demandará muito esforço. Porém, após contínuas reflexões, percebi que simplesmente não me encaixo em nenhum dos quadros de interesse e cheguei a simples conclusão: Que sem graça sou eu.
Não estou sendo exagerada, injusta ou severa demais comigo mesma. Não, não... Vamos aos fatos.

Não sou fofa, engraçadinha ou miss simpatia. Nunca fui.  Sempre me armei de poucas palavras, muita acidez e severa reclusão social.
Também não me saí ao tipo culta, cheia dos conhecimentos históricos, pensamentos filosóficos e argumentos políticos. Não que eu não goste. Eu adoraria ser, acho lindo, interessante, sexy até. Mas dá muito trabalho. Ler, estudar, pesquisar, pensar. Leva muito tempo e esforço mental. A minha amiga preguiça me passou uma dieta que proíbe tudo isso...
Também não sou altruísta, de um coração imenso e generoso sempre preocupada com os outros. Não, não. Meu mundo gira todo em torno do meu lindo (lindo!) umbigo. Mais uma vez, não por mal. Eu me sensibilizo com as causas dos outros. Mas na minha cabeça só cabem os meus problemas. Não sobra espaço pro resto. Desculpem, deve ter sido a combinação astral do momento em que nasci.
Humor é outra coisa que nunca foi meu forte. Não acho graça em piadas. São sempre previsíveis. E se não deu vontade de rir e/ou eu não tô feliz por alguma coisa, não rio.  Não adianta. Sorrisos são restritos.Essa minha cara de durona aqui não é só fachada pra intimidar não. É a carranca de uma pessoa mal humorada mesmo. Só isso.
E tem ainda.. essa coisa de beleza...Sim. A beleza. Pode parecer fútil, mas ela também atrai as pessoas. E eu odeio essa parte, pois nunca estive nos padrões de beleza, e a minha ausência de grandes vaidades me impediu de tentar me encaixar. Aí acabei ficando sem mais uma qualidade que costuma interessar as pessoas.
Delicadeza, meiguice, sociabilidade... Enfim, tudo isso que as pessoas usualmente admiram de alguma forma, foi tudo dispensado a mim. E não duvide! Pois com o pouco citado aqui é completamente possível conferir.
Reflita por si mesmo, puxe na memória... Se você me conhece, muito provavelmente já percebeu a minha cara fechada, já me viu descabelada ou foi vítima do constrangimento causado pelas minhas breves palavras. E se conseguiu atingir esse pronto do texto, deve ter constatado também a evidência de que não menti quando versei sobre o egocentrismo.

Mas nada disso é proposital. Juro que não acho divertido ser assim e confesso que até já até tentei plasmar versões de araque de mim mesma. Mas não deram certo. E acabei me conformando com a realidade inegável: Não é que eu seja má pessoa nem nada...Sou só sem gracinha. Eu entendi e já não me ofendo.

E um 'Ps' necessário. Não estou aqui pagando de vítima, gracenjando, fazendo charminho ou coisas afins. Não! De forma alguma! Só que eu tenho o direito de me decepcionar com quem eu quiser. E hoje a vítima calhou de ser eu. Paciência.

Mas é claro se mesmo diante do exposto você quiser discordar. Sinta-se à vontade. Cortesia da casa aos leitores pacientes. ;)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Quem é inteligente aqui?

   Uma das respostas que mais dou durante as conversations no curso de inglês é "It depends". Ela é sempre uma ótima saída, serve para tudo, principalmente quando se percebe que a pessoa com quem se fala não compartilha muito das mesma idéias que você . O uso é fácil, você expõe dois pontos de vistas diferentes, não conclui nada, não se contrapõe ou indispõe com ninguém e fica todo mundo feliz. =)
   A gente também aprende esse uso nas aulas de física do ensino médio. Afinal quem não lembra do professor repetindo trocentas vezes a frase  "depende do referencial"?
   Porém, esse depende vai muito além das saídas fáceis de uma conversa ou das regras que devemos lembrar nas provas de física. É algo no qual realmente se deveria considerar em diversas situações, nas quais é preferido por nós,  na absoluta maior parte das vezes, julgar em valores absolutos, sem meio termo. Sempre preto ou branco, sim ou não. O que acaba gerando inúmeros rótulos, alguns, inclusive, com um quê de preconceito.
   Explicando melhor com exemplos aleatórios, são situações análogas as seguintes.

   Qual é a melhor faculdade de direito do Rio? A que tem o melhor resultado no exame da ordem ou no ENAD é a resposta natural. Mas dependendo daquilo que você quer seguir, do foco que você quer dá ao seus estudos, a melhor pra você pode não ser a melhor pro seu colega.
   Qual a melhor barraca pra acampar?  Naturalmente a mais cara, pois possui um material melhor. Mas não adianta pagar a mais cara, com sobreteto até o chão, coluna d'água de pelo menos 1200mm e material de primeira, se você só vai utilizá-la em alojamentos cobertos. Então uma barraca mais simples pode ser melhor pra você, mais barata e mais leve pra sua viagem.
   "O cabelo dela é ruim". Se ela gosta e assume o cabelo crespo dela, e está feliz com ele. O cabelo é ruim pra ela? 
    Como se vê é tudo uma questão de referencial, de ponto de vista. E é essa questão de relatividade,  usada para abrir os questinamentos, o principal argumento  ao assunto que quero tratar. Quem é inteligente?
   Na escola, a partir do ensino fundamental, elegem o CDF da turma. Aquele que senta lá na frente, tem sempre as respostas na ponta da língua, estuda em casa e tira notão. Rótulo esse que vai seguindo ano após ano da sua vida acadêmica. É inteligente aquele que tira boa nota, que passa no concurso e que entra pra faculdade pública. Não é assim?
   Eu já fui a inteligente da turma, a CDF. Deixei de ser no ensino médio. 
   Passei no vestibular. Bom. Talvez eu ainda fosse inteligente.
   Entrei na faculdade e apareceram novos gênios, fiquei imersa na minha burrice novamente. Não conseguia decorar os termos em latim, nem os 78(?) incisos do artigo 5° da Constituição. Isso me deixava deprimida e me fazia sentir no lugar errado.
   Mas então eu me pergunto sobre essa inteligência tão falada. Será que esse cara inteligente consegue solucionar os pequenos problemas domésticos com a mesma destreza que resolve os da prova? O meu tio consegue...Ele não é formado nem dana...Mas quando colocamos o telhado aqui no corredor da casa, ficou um breu danado, o ambiente ficou super escuro, a luz tinha que ficar ligada durante o dia pra ninguém se estabacar passando ali...Aí numa sacação ele substitui algumas telhas por garrafas pet transparentes cheias d'água, deixando a luz natural entrar. Ele sempre se sai com soluções simples e geniais ao mesmo tempo. Acho ele muito inteligente.
   Seguindo a linha de raciocínio, será que o cara que todo mundo fica por aí falando que é inteligente, que conhece lei por lei de cabeça, podendo citar cada vírgula presente nelas, é tão sagaz quando aquele cara ali chegando na menina com um papinho maroto e que no fim leva a gata, sem nem precisar suar? Sério, se eu fosse homem, não ia ter frase decorada que me ajudasse nessas situações. Eu enxergo em todo bom (eu disse Bom!, e não esses aprendizes a malandros que vemos por aí) pegador um homem extremamente inteligente. Você precisar ter o feeling da "presa" (ai que coisa machista), saber qual é o papo que tem que mandar e fazê-lo bem.
   Da mesma forma toda a genialidade do melhor da turma pode ignorar a atividade concreta, que une não só os elementos teóricos expostos nos livros, mas outros elementos que aparecem em situações reais. Elementos como pessoas, emoções, realidade social.  (Era inevitável, transportei totalmente ao mundo do direito). Acaba existindo um tipo de inteligência técnica e inteligência real. E quando digo real, não intento dizer que a primeira seja de mentira e a segunda verdadeira. Digo real de voltada para absorver a realidade, uma inteligência sensível.
    Então foi se abrindo pra mim uma nova percepção de inteligência, a partir da minha análise sobre mim mesma. Entendendo que ao passo que eu não era uma prodígia das leis, também não era a burra que acreditei ser, pois tudo o que era relacionado de alguma forma com contextos sociais, era mais fácil pra mim do que pra outros. E vi que poderia ser simplesmente eu mesma um desses casos de inteligência diferenciada do que é padronizado pelo senso comum. Caiu a fixa de que o inteligente não exclusivamente aquele da nota alta. Esse é apenas mais um inteligente. Mas não faz dos outros menos inteligente, são apenas diferente uns dos outros.
    Inteligente é aquele que tem uma qualidade ou uma aptidão natural particular e que a utiliza da melhor maneira para obter resultados satisfatórios. Pode ser uma facilidade pra memorização, uma facilidade pra sentir os ânimos, uma facilidade para falas argumentativas, facilidade de achar soluções pra problemas corriqueiros ou de ter sensibilidade pra realidade. 
   Não existe uma fórmula pronta. Esses não são valores absolutos como insiste-se em taxar. São sim valores variáveis em objetivos, necessidades e situações. Podendo logicamente haver alguém que é mais capaz em determinado contexto do que o outro. Mas não por isso se deve subestimar aquele ali do canto, porque ainda podemos depender da inteligência dele em algum momento.
   Portanto, já chega de rótulos. Está mais do que na hora de todas as pessoas serem encaradas como capazes. Chega de olhares com desprezo ou menosprezo sobre aquilo que é diferente do que foi dito por alguém, não se sabe quem, que era verdadeiro. O mundo deve ser encarado com olhares individuais, olhares que efetivamente sejam fruto de uma concepção própria. É preciso o olhar despido do pré determinado e aberto a todas as possibilidades.
   Já chega de limitações com referenciais tão pequenos.
   É todo mundo inteligente nessa porra, só depende do ponto de vista. Aumente o seu.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Olhares, sorrisos e minhas matutices...

Distraidamente passeava os meus olhos pelo lugar. Até que sem querer, mesmo sem procurar, eles encontraram você.
Foi um milésimo de segundo, talvez menos, mas eu me assustei. Não estava esperando você me olhar assim. Meu cabelo estava bagunçado, minha expressão era de uma lunática. E além de tudo eu ainda não tinha me preparado  piscicologicamente. É claro que você não poderia saber, mas é que a minha insegurança e timidez precisam ser metodicamente treinadas para situações como essas. E foi tão rápido, tão breve..e o susto foi tão grande!, que sem nem pensar, meus olhos, como um animal esquivo, correram pra bem longe dos seus. 
Você me viu? A gente se olhou? Fiquei  na dúvida. Tinha que saber. Tinha que olhar de novo. Olhei.
Você sorria...Ai como eu queria esse seu sorriso só pra mim. Desejo egoista, eu sei. Mas assim sou eu, com-ple-ta-men-te egoista. Egoismo de quem quer acordar todos os dias  com esse sorriso só pra mim, só por mim. Me brindando com essa beleza calma e sincera que dele emana exclusiva e propositalmente para o meu deleite e de mais ninguém. Passaria o dia te admirando sorrir.
Mas sorrindo...Por que sorria? Será que notou meu olhar? Ria ou sorria? Ria de mim? Ou sorria pro moço que vinha lhe cumprimentar?
Desculpe, não achei ilustração à altura
Ai que drogra! Eu não tinha que ter desviado o olhar...
Fiquei sem saber se seus olhos também teriam encontrado os meus. Será que encontraram? Deve ter me achado uma boba. Será que não? Ai, tomara que sim...
Nossa! Mas como ele sorri lindo! Eu não podia ter desviado o olhar.
Matuta besta.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sobre Jovens e Velhos

"Jovens, envelheçam depressa, com urgência! Envelheçam!"
Eis a mensagem deixada aos jovens por Nelson Rodrigues.
Bom, embora o adore, o seu forte tom conservador sempre me irritou um pouco, de forma a desprezar certas declarações suas como essa. Mas hoje quando acordei, por um pequeno momento resolvi acatar o conselho dado e envelheci.
40 anos.
Teria eu envelhecido o suficiente?
As marcas no rostos observadas no espelho disseram que sim. Luiza Morena com 20 anos, reclamando das provas malucas da faculdade também.
Meu Deus! -me assombro com esse pensamento- Luiza morena na faculdade e eu lembro de quando a peguei no colo! Como que ela já chegou nessa fase?
A nostalgia dos envelhecidos.

Fiquei pensando nela e em toda aquela áurea encantadora que envolve a juventude... Tadinhos... Tão jovens.. Mil idéias, mil planos. Todo um esquema planejado de como será a sua vida. E a certeza de que tudo vai dar metodicamente certo.
Ideologias, discursos inflamados e suas verdades incontestáveis. E quem é você pra duvidar deles? Ouse, para em seguida ouvir as mesmas coisas que você mesmo costumava dizer quando tinha a idade deles. E vai rir de si, de quão tolo era em também acreditar e lutar por tudo aquilo que ele está dizendo.
Juventude...Dei um sorriso vago, lembrando das viagens que eu fazia, das festas que eu ia, das saídas que eu dava, das cervejas que eu bebia e do plano principal, que era basicamente viajar mais, -agora além da Ilha Grande, rumo ao mochilão pela América do Sul- festejar mais, sair mais, e tomar mais e mais porres, fazer mais merdas e ainda assim atingir mais metas. Eu tinha certeza que tudo ia ser assim pra sempre. E eu ia ser feliz.
Mas aí o tempo foi passando e foi fazendo questão de mostrar que ele não só alivia as dores, afaga a alma e engrandece o homem, mas também endurece corações e destrói sonhos, transformando o que antes era realidade em ilusão. E fazendo com que a gente perceba o quanto a gente foi bobo em um dia acreditar que ser tão feliz era possível, mas que na vida de verdade mesmo a felicidade ocupa espaços pequenos, que mal dão pra preencher o tempo, que ela é na verdade somente um pequeno momento concedido para tornar o seguir em frente menos duro. E que ser ou não bem sucedido não é questão de objetivos alcançados ou insucessos do caminho, pois até as suas conquistas são pequenas e inúteis se o seu espírito já não é livre.

Tantos pensamentos negativos, carregados de amargura me trouxeram de volta.

É evidente que meu devaneio é apenas um recorte de uma possibilidade dentre tantas outras abertas a minha frente. Um recorte aliás de uma realidade possível, e não apenas um devaneio fictício de uma mente perturbada com o futuro, pois essa é uma cena que eu assisto repetidamente ao meu redor, quando diante de uma fala minha, alguém com o dobro da minha idade me olha com aquela cara de pena pensando "tadinha, tão novinha, não sabe nada da vida, do mundo", ou quando diante de um pedido meu de explicação por um posição contrária a minha, a melhor resposta que eu obtenho é "você é muito nova ainda, um da você vai entender". Nada é mais irritante do que esse olhar piedoso sobre a minha suposta ingenuidade e inocência imaginadas pelo meu interlocutor.
Velhice não tem idade, nem rugas. Tampouco está na pele ou no corpo, está sim na alma e no espírito, pronta pra ser derrubada pra quem quiser e assim o desejar.
Fico então me perguntando o que tem de tão bom na velhice que me faça querer envelhecer depressa. Seriam a desilusão encarada, o endurecimento do espírito ou a amargura desenterrada uma forma de se tornar um mártir, coroando assim a sua própria existência? Não creio. Pois a coroação de toda uma existência não está no servir de exemplo por sofreguidão ou tempo de vida, mas sim na admiração de todos por toda uma história de bem viver e VIVER (com todas as letras maiúsculas, por favor) bem consigo e com o mundo.

Portanto, ilustríssimo e adorado (sem ironias) Sr. Nelson Rodrigues, muitíssimo obrigado pelo convite, mas eu prefiro viver cada ano da minha vida cheia de sonhos, de utopias, de risada soltas, de alma leve...Até que eu chegue aos meus 40 anos, bem diferente do por ora imaginado, saindo com Luiza Morena feliz da vida pra cima e pra baixo, compartilhando de todo o seu vigor juvenil em discussões inflamadas e planos malucos, e eu estarei repleeeeeta da inconsequente juventude tão repudiada por vós, valeu!?
Pois não é preciso ser mártir e muito menos velho para poder ser grande.
;)

Ps. A título de curiosidade, pra quem não souber, Luiza Morena é minha prima de 9 meses.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Pedro II por Nelson Rodrigues

Diante  a vitória do Colégio Pedro II pelos jogos da primavera em 1967, seus alunos sairam em êxtase pelas ruas fazendo algazarra e comendo chicabons de graça em comemoração.
Os alunos se divertiram. Quem não se divertiu mesmo foi a sociedade carrancuda, que publicou uma nota sobre a desordem estabelecida pelos meninos do colégio imperial na manhã seguinte. Ao que respondeu, genialmente, Nelson Rodrigues nessa crônica do jornal do esportes. Leia:


"Amigos, a manchete é um dos vícios fatais da nossa época. Se um jornal anunciar o fim do mundo em uma coluna, ninguém vai se assustar. Pelo seguinte: – porque o homem só sabe vibrar em oito colunas. E a catástrofe que não venha no alto da página, aberta de fora a fora, perde todo o impacto. É a obsessão da manchete. 
E, no entanto, vejam vocês: – a poesia do jornal está, por vezes. Na notícia miúda, no registro pequeno, em tipo liliputiano. Ainda ontem, por exemplo, eu li um simples texto-legenda que é uma preciosidade. Imaginem vocês que o Pedro II ganhou os Jogos da Primavera (N. do blog – evento criado por Mário Filho, um dos irmãos de Nelson Rodrigues e que batiza o Maracanã), a maior olimpíada do mundo! Claro que houve, lá no velho e eterno Colégio, uma euforia brutal.
 
E o Pedro II resolveu trazer para a rua sua alegria fabulosa. Houve passeata, escarcéu, correrias, o diabo. Amigos, o brasileiro servil teve a reputação de povo triste. E, de fato, o sujeito não dá um passo, aqui, sem esbarrar numa melancolia, sem tropeçar numa depressão. Nas esquinas, nos botecos, há sempre um brasileiro pingando hipocondria. Lembro-me de um turista que perguntava intrigadíssimo: – ‘Quem é que morreu?’ 
De fato, temos por vezes o ar de quem chora um imaginário defunto. Mas se este povo é triste, há uma imensa, jucunda, deslumbrante exceção: – o aluno do Pedro II. Tenho um amigo meu que vive rosnando: – Nesta terra, até as cadeiras são neuróticas.  Ao que eu responderia: – Menos as cadeiras do Pedro II -. Porque, lá, os móveis também são coniventes no humor dos alunos.
 
Uma das mágoas que eu tenho na vida é a de não ter sido, na minha infância ou juventude, aluno do Pedro II.  Andei por colégios mais lúgubres do que a casa do Agra. Mas há, em mim, até hoje, a nostalgia de não ter estudado ou fingido que estudava lá. A rigor, não são os professores que me interessam no Pedro II. Nem os seus problemas de ensino. O que me deslumbra no aluno do Pedro II não é o estudante, mas o tipo humano. Ele deve ser um mau aluno (tomara que seja), mas que natureza cálida, que apetite vital, que ferocidade dionisíaca.
 
Olhem para as nossas ruas. Em cada canto, há alguém conspirando contra a vida. Não o aluno do Pedro II. Há quem diga, e eu concordo, que ele é a única sanidade mental do Brasil. E, realmente, não há por lá os soturnos, os merencórios, os augustos dos anjos. Os outros brasileiros deveriam aprender a rir com os alunos do Pedro II.
 
Volto ao texto-legenda. Em poucas linhas está descrita a comemoração da vitória. E não se lê, no jornal, uma palavra de simpatia, e pelo contrário: – é evidente a irritação. Quem redigiu a nota está indignado com a euforia total dos estudantes. Mas reparem como o jornal hipocondríaco está sendo bem brasileiro. De fato, nós somos uns ressentidos contra a alegria, e repito: – a alegria ofende e humilha os impotentes do sentimento.
 
Por fim, o colega chama os meninos de ‘pequenos vândalos’. Não se pode desejar uma incompreensão mais nostálgica. Por que ‘vândalos’? Porque andaram quebrando umas cadeiras e, sobretudo, porque andaram chupando Chicabon sem pagar. Vamos admitir, risonhamente, que é lamentável. Mas nunca houve um 7 de setembro, ou um 14 de junho, sem atropelos inevitáveis. Os apertões cívicos derrubam senhoras, asfixiam menores. E nas procissões há quem bata carteira, ou atropele, ou desmaie. Vamos concluir que os patriotas e os devotos são vândalos?
 
Numa terra de deprimidos, o alegre devia ser carregado na bandeja como um leitão assado. E devíamos subvencionar o Pedro II para inundar a cidade, diariamente, com a sua alegria total, ululante. E vamos arrancar a máscara de nossa hipocrisia. Pois, no fundo, invejamos amargamente a garotada que lambeu de graça tanto Chicabon."


                                                                                          Nelson Rodrigues, Jornal dos Esportes 1967


Viu?! E nem fui eu que falei... Foi Nelson Rodrigues!!

sábado, 18 de setembro de 2010

Subestimar

Eu subestimo
Tu subestimas
Ele subestima
Nós subestimamos
Vós subestimais
Eles subestimam...

                             ...A mim, a ti, a si, a nós, a vós, a eles.

Pré julga-se.
Rotula-se.
E é tanto, tanto! Que as vezes começo a acreditar... e tu; e ele; e vós; e eles; e todos nós!..também.
E quando acredita-se, encarna-se essa ilusão, veste-se desse podre personagem, enchesse-se desse pensamento vão. Diminui-se aos olhos dos outros, e tão logo tudo se torna mera criação, uma projeção de fantoches narcisos, que acham feio o que não é espelho.
E então, eu, tu, eles, nós, vós, eles, espelhamo-nos.
Criamos um reflexo universal, único e nos perdemos dentro de nós.

Fracos.

sábado, 11 de setembro de 2010

It's Câncer, baby.

Sabe essa coisa de pressentimento?
Nunca acreditei muito não. Pra mim sempre foi coisa de pessoa neurótica que está preocupado com tudo e todos ao mesmo tempo, e que de tanta preocupação está sempre esperando o pior.
Pois bem, antes de viajar pro ENED em Julho, eu tava aflita. Passei todo o caminho da minha casa até a da Fê onde meu pai foi em deixar com as malas preocupada. Mas na minha cabeça eu tava assim por causa do meu pai..Porque ele trabalha direto com o táxi e daí podia acontecer alguma coisa, é perigoso e tal. Tanto que depois que ele me ligou eu esperei uns 30 minutos pra ligar pra casa pra saber se ele tinha chegado bem. Chegou. Mas a angústia não passou, viajei com ela, mas em Brasília ocupei a cabeça e esqueci. Só fiquei cismada de porque diabos eu estando uma semana fora ninguém me ligava. Mas meus pais não são muito de ligar mesmo, então só fiquei um pouco chateada, mããs...Anyway..
Voltei feliz e eufórica de viagem e logo quando entro no carro um balde de água fria:
- Olha, Amanda, sua mãe fez uma cirurgia, vai precisar de um mês inteiro de repouso absoluto. Ela não pode fazer nada, a gente que vai ter que ficar fazendo tudo. Vamos todos colaborar.
Olhei pro meu pai com cara de quem não tá entendendo nada.
- Hein? Cirurgia de que? De dente?
- Não, ela tirou um tumor do seio, ocorreu tudo bem, agora só é a recuperação.
Uffa, que bom, eu pensei. E fui logo tratando de saber mais sobre.
- Ela teve que ser operada às pressas?
- Não ela já tinha marcado a cirurgia, mas achou melhor você não saber pra viajar tranquila.
Malandrinha pensei, e fiquei puta. Nem teria viajado. Mas já que viajei só me resta ficar de Maria agora. Lavar, cozinhar, arrumar e limpar a casa de acordo com todas as mil manias de limpeza da minha mãe, só por um mês. Ok.
Então cheguei em casa. Agi normalmente. Como se nada de diferente tivesse aconrecido, quando numa passada na sala vi minha mãe lendo um livro, e como sou curiosa por capas de livros, parei pra vê-la: "CÂncer tem cura".
Ué, câncer? Por que minha mãe tá lendo um livro de cânc....MEU DEUS, CÂNCER! MINHA MÃE TÁ COM CÂNCER!

Sim, foi exatamente assim que eu descobri que minha mãe tava com câncer.. Tonta, neh!?

Controlei meu piti. Respirei fundo e fingi que nem era comingo. 
Mas dos males os menos piores.. Ela não precisou tirar o seio e nem o tecido linfático não foi atingido. Porém ainda assim as sessões de quimio e radioterapia e ainda mais tarde um remédio por 5 anos se fazem necessários.
Viemos desde então dando todo o apoio à minha mãe. Nada é fácil. Mas a nossa família é grande e tah todo mundo dando uma força como pode. Nessas horas que nós mais vemos a importÂncia de uma família sólida e unida. Fora que a cabeça dela é boa demais!
O problema mesmo começa agora. A queda de cabelo. Fere a auto estima de qualquer mulher. São punhados e mais punhados de cabelos que caem todos os dias. Fora o mal estar após as sessões de químio. Mas estamos todos firmes e fortes aqui, unidos e fazendo o possível para o melhor da nossa mãe. E bom, acho que estamos conseguindo.
E então, você deve estar se perguntando o porquê de eu estar escrevendo tudo isso já que provavelmente você e mais todo mundo próximo a mim já sabe de todos esses detalhes. Não pense que é um desabafo, não, não é. Meus desabafos tem ombros destinos certos. 
Eu só quero mesmo dizer é muito obrigado a toda a força, toda ajuda, apoio e solidariedade de vocês amigos e parentes, ainda que seja apenas nos fazendo sorrir e diminuindo nossas tensões ou mostrando estar ali pro que precisar nessa fase complicada. E agredecer por estarem vivendo tudo isso, passo-a-passo com a gente, dividindo angústias e espectativas. Acreditem, vocês estão sendo fundamentais.
Amo vocês.
Muito Obrigado, de verdade.
Vai ficar tudo bem, eu sei tanto como eu sabia que alguma coisa não tava certa quando eu viajei.. =)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

"Acaba perdendo toda diversão"

Em toda a minha história escolar levei apenas duas advertências, ambas coletivas. A primeira por chegarmos atrasados da aula de Educação Física, a outra por ninguém da turma querer entregar quem foi que jogou giz na professora e miou logo em seguida. Um motivo nobre, ainda que patético, e principalmente de fácil justificativa em casa.
É notório portanto que não foram advertências muito emocionantes ou preocupáveis.
Sempre fui mesmo muito de seguir as regras, de andar direito. Só mudei um pouco no ensino médio, mas só porque os professores não ligavam pra nada mesmo, ficar em sala ou fazer dever já não era obrigações, mas sim diretrizes, logo quando eu fiz a professora de artes chorar e quando provoquei uma insurreição de metade da turma contra o professor de biologia, não foi propriamente porque eu me revoltei. 
Eu sempre fui tão certinha que na 5° série chorei desesperadamente porque esqueci de fazer o dever de ciências e a professora ia passar vendo de caderno em caderno. A Amanda tentava me convencer de ir ao banheiro ou trocar de lugar, que a professora não ia nem perceber. Mas eu estava mais preocupada em chorar com cara de culpada. Na 6° série também fiz um drama parecido, porque eu fui comparar as respostas de um teste de geografia e as minhas estavam diferentes das de todo mundo. Fui procurar a professora às lágrimas e acho que mais por pena do que por merecimento ela acabou me dando uma das maiores notas. E na escola embora eu desse cola, nunca me possibilitei fazer isso! Achava um grande absurdo.
O auge da minha rebeldia acadêmica era escalar do campo de futebol de areia para o prédio da Direção Geral ou descer para saída do Pedrão pela sala de música.
Sabe aquela fase de paixão por um ídolo adolescente e de mais tarde, ou na mesma época começar a se permitir a se descobrir mulher e então passar a se interessar pelos garotinhos da sala ou da rua o que logo resulta no primeiro namoradinho? Pois bem, também não tive isso. Sempre estive muito mais preocupada com a imagem que eu tinha que passar e a segurança que eu tinha que ter. Pra mim 'ficar' era coisa de menina vulgar, e amar machucava. Fora que eu ainda acreditava naquela coisa de príncipe encantado (malditos desenhos da Disney). Então nunca me permiti nada disso, era de um conservadorismo absurdo para a minha idade. Sempre fui a aluna e filha exemplar. Notas altas, bom comportamento.
E agora eu me pergunto. E o que eu ganhei com tudo isso?
Que mal me teria feito matar uma aula ali ou outra aqui e sentir o gostinho da adrenalina do medo de ser descoberta?  Que mal teria eu ter dado uma resposta bem dada prum professor arrogante quando ele mais merecia? Qual seria o problema de eu dar uma coladinha só pra tirar a dúvida da questão que eu não sabia? Uma advertência!? Uma falha perante os meus pais?! Um sinal de inferioridade em relação aos outros alunos?! E porque diabos eu com menos de 15 anos me importava em parecer vulgar? 
Cara, FODA-SE tudo issooo! 
Porque sabe mesmo o que eu ganhei com essas frescuras? Uma porra de história vazia. De fases não vividas, de etapas puladas, de coisas não feitas e de arrependimentos irreparáveis.
Você desde que nasce é bombardeado de regras de conduta, de normas morais, de ínúmeros dever ser. É implantado na sua cabeça o padrão de como você deve se comportar se quiser um dia ser um cidadão respeitado. Mas esquecem de te falar que você ainda é novo demais pra se preocupar tanto com isso. Não te falam que você pode errar e que deslizes não só são permitidos e como são também a melhor forma de aprender. Não te dizem "vai lá e se diverte, mas com responsabilidade", só te falam a parte do "responsabilidade".
Então você não só perde toda uma história, toda uma fase boa, como perde também as melhores oportunidades de aprender. Porque te disseram tanto qual era o certo, e você empreendeu tanto tempo em tentar seguí-lo, que acaba não descobrindo por si mesmo como agir e lidar com a situações de acordo com o seu próprio ser, seu próprio saber de vida, pois você está sempre seguindo o saber dos outros.
Não tem aquela velha história de se você obedecer todas as regras, acaba perdendo toda a diversão?
Pois é. Eu deveria ter acreditado nela desde a primeira vez que eu a ouvi.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Religião Marxismo

"Nosso pai queria que Mayer fosse rabino; a noite colocava diante do filho livros sagrados. Mayer abria-os de má vontade. Nosso pai incentivava-o com sábias palavras:
    - Estuda, filho, estuda. Lembra-se o que Rabi Iochanan ben Zacai dizia: "Foste criado para estudar a Torá."
Tonto de sono Mayer respondia:
   -Mas Simeon, filho de Rabi Gamaliel dizia: "Passei a vida entre sábios e nada achei de melhor que o silêncio. O essencial não é estudar, é fazer."
Mayer queria esoucaçar; mas nosso pai não percebia; ao contrário, encantava-se com a polêmica.:
  -Simeon? Era inexperiente. Rabi Gamamaliel, seu pai, sabia o que estava dizendo quando recomendou: "Procure um mestre". Eu sou o teu mestre, meu filho.
   -Na Guemara - contestava o perverso Mayer- está escrito: "Se o discípulo percebe que o mestre erra, deve corrigi-lo".
A testa do pai vincava-se:
   - Em que estou errado, meu filho?
   - Em me obrigar a estudar essas bobagens - gritava Mayer - quando estou louco de sono. É um absurdo!
   - Na Guemara está escrito - respondia nossa pai docemente: "Se um grande homem disser uma coisa que te pareça absurdo, não rias; tenta entendê-lo". Eu também estou com sono, e se fico aqui contigo é porque Rabi Hananiá dizia: "Quando dois homens se reunem para discutir a Torá, o Santo Espírito paira sobre eles". estamos com fome, é certo. Mas o que importa? Está escrito: "Eis como vive o estudioso: Come uma côdea de pão com sal; bebe água moderadamente; dorme no chão; suporta privações". A maior riqueza é o estudo, a religião.
   - Não! - gritava Mayer. - A maior riqueza é a posse dos meios de produção, estás ouvindo? estudo, religião! é bem como diz Marx: A religião é o ópio dos povos!."

(O exército de um homem só- 
Moacyr Scliar; pg 18-19)

Agora tu me diz no que foi mesmo que o marxismo se tornou, se não numa grande religião do Deus Karl Marx, com seus discípulos e fiéis devotos marxistas, tendo Cuba como a terra santa, templo máximo de contemplação?

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

"Um monte de cachinho, na cachola, Oi tóim, oi tóim tóim tóim!!"

Cabelos cacheados.
Uns adoram, outros odeiam. Uns acham mantê-lo nos tempos das mil e uma escovas questão de personalidade, outros acham pura teimosia.
O fato é que ter cabelo cacheado sempre foi muiito complicado, divisor de opiniões daqueles que o julgam e principalmente difícil para aqueles que o cultivam. Eu que o diga. Possuem vontade própria, rebeldes e contestadores por natureza. Ficam lindos no dia que você vai ficar em casa e te fazem passar vergonha quando você vai àquela festa que esperou o ano inteiro. Sempre assim! 
Aí começam os outros -como se já não bastasse a sua própria irritação com o seu cabelo que te deixou na mão quando você precisava deles, quando você achou que ia provar para os outros que seus cachos são fofos, legais e simpáticos-, os experts, os que dão opinião e sabem sobre tudo os cabeleireiros das horas vagas, você ainda tem que aturá-los falando "Amanda, já viu aquele creme, daquela marca? Por que você não compra? Ele deixa o cabelo tão brilhoso.." ou ”Deixa eu ver seu cabelo..Hmm...Por que você não vai no cabeleireiro tal..", ou ainda “Por que você não faz progressiva? Olha, fulano fez, tiirou o volume, deu brilho ..."; dentre tantas outras sugestões e perguntas. E a minha vontade é de responder:

AHHHH! PORQUE EU N-Ã-O-Q-U-E-R-O, PORRAAA!!

É difícil de entender? O cabelo é MEU e eu o deixo como euu quiser! Mas que saco.
Pois é, ter que aturar toda essa pressão é dose, já não nos é suficiente todas as dificuldades que nossos queridos e rebeldes cachos, nos impõe? Parece que não.
E as opiniões alheias não são as únicas coisas a irritar. Temos ainda que lidar com o mercado que tenta nos impor um único tipo de cabelo o tempo todo. Afinal, até bem pouco tempo atrás -e quando eu digo bem pouco é realmente muito pouco- só lançava produtos voltados para cabelos que não se encaixavam no perfil brasileiro, vulgo lisos, ou para cabelos padronizados, vulgo alisados. Restando a nós, pessoas teimosas, termos que nos conformar e adaptar a produtos que atendem a uma ou outra característica dos cabelos cacheados, como shampoos e condicionadores para cabelos ressecados, sem brilho,  ou disso, ou daquilo outros, mas nunca produtos ou tratamentos focados no nosso tipo específico de cabelo.
Mas me parece que de um tempo pra cá bateu um simancol em alguém que genialmente deve ter pensado "Aqui nessa terra tupiniquim tem muito mais cabelo crespo e enrolado do que lisinho, bora dá atenção a eles!". E então tais produtos começaram  aos poucos a chegar às nossas prateleiras, para a satisfação e felicidade de todas nós conservadoras na manutenção dos cachinhos!
Foi então que ninguém mais, ninguém menos que Thaís Araújo decidiu aderir ao cacheado’s way of life e ter seus cabelos tais como eles são (ok, não tanto assim como eles são, bem sabemos) e rapidamente uma legião de pessoas ‘in’ resolveu seguí-la!
E eis que aconteceu. Do dia para a noite, não mais que de repente os cabelos cacheados passaram a ser bonitos. Óh, meu Deus! Eles estavam tão perto de nós esse tempo todo e nem enxergamos... Como pode!? Será mágica? Será milagre?
Não, meus caros, não é nada disso, é na verdade um veneno. Um dos maiores venenos da sociedade de consumo. Aquele que acaba com as particularidades, extermina o original, ceifa a personalidade. Sim, aquela sua velha conhecida: A moda.
Mas ainda bem que eu fui teimosa esse tempo todo e num fiz uma bosta de escova qualquer de comida oriental. E agora eu posso dizer..
Eu to in, tah? Super na moda! Desculpa aew, cabelo alisado!