quarta-feira, 30 de abril de 2008

CP2 na veia!




A nossa vida pode sim ser feitas de escolhas, as quais podem nos levar a caminhos que não escolhemos. É complicado mesmo, porém é um caminho que mesmo indesejado foi traçado por uma escolha consciente.

Por outro lado, a vida pode também prosseguir através do acaso. E foi esse tal de acaso que me fez trilhar pelo mais maravilhoso caminho sem escolha da minha vida.

A história desse percurso pode não ser a mais longa, bonita, intensa ou qualquer coisa que se idealize, mas é a minha história e ponto.

Entrei no cp2 (Colégio PedroII) não por puro acaso, mas contra a minha vontade, para mim era só mais um colégio, porém este longe da minha casa, e eu teria que acordar muito cedo, teria que fazer novos amigos, e viver uma nova realidade, um inferno!, pensei na época. Doce inferno pensaria mais tarde.

O Cp2 foi a maior e melhor realização da minha vida! O ser humano que sou hoje, se 50% devo à minha família, com certeza, os outros 50% devo a esta instituição. Esta me ensinou, como diria uma amiga, mais do que pensamentos, me ensinou a pensar.

Ingressei lá em 2002, com 11 anos, uma criança, imatura e ignorante em diversos aspectos, introspectiva e certinha ao extremo. Mas lá dentro eu não só cresci como amadureci idéias e pensamentos, e desenvolvi meu jeito de ser em diversos sentidos.

Não sei ao que posso atribuir tal tipo de crescimento e amadurecimentos, aliás, eu nem sei se posso de fato atribuir à alguma coisa isolada. Fato é que eu cresceria de qualquer forma, mas eu estar lá me adicionou conteúdo ao crescimento. E ainda hoje não consigo sintetizar o porquê.

Talvez a razão seja este ser um colégio tradicional, que faz parte da história, um colégio de alunos muito importantes e que todos elogiam. Um colégio com profissionais gabaritados, com alunos seletos. Um colégio no qual se tem muito contanto com a política, filosofia, com a arte e com a música, conhecimentos os quais além de enobrecer os homens, os faz seres pensantes, sensíveis, capazes de discernir as coisas do mundo que os cerca. Um colégio onde há espaço para a convivência com as diferenças, um colégio que não te prepara só para uma provinha, mas que justamente por sua diversidade de pessoas, te prepara para saber lidar com qualquer um, em qualquer situação no mundo lá fora. Um colégio no qual os alunos conseguem se fazer ouvidos, mesmo que nem sempre haja espaço. Um colégio dos pequenos e grandes, dos pobres e dos ricos, alunos e docentes, onde ninguém fica sem espaço. Um colégio que prepara para a vida, e forma cidadãos. Um colégio que como lema ,tem a tabuada, um grito de guerra capaz de unir todos numa só alma.

E como tudo isso não mudaria a vida de alguém? Palavras não conseguem demonstrar tudo o que eu sinto por esse colégio, e saber que está acabando, que será o último ano, as últimas confusões, últimas brigas, últimas algazarras no pátio, últimos lanches, últimas zoações e idiotices, últimas aulas, últimas provas, últimos esporros, últimas gargalhadas, últimos abraços, últimos choros, e últimos sorrisos.

Faz doer tanto só em pensar nisso tudo! Causa um saudosismo antecipado. É como se morresse uma parte de mim, vai passando um filmezinho de coisas, de pequenos gestos, de grandes pessoas. Mesmo velha tudo o que já vivi, e que ainda viverei esse ano, coisas boas e ruins, terão sempre esse sabor doce, e me farão sentir essa coisa terna, que me faz escrever agora.

Os alunos do CP2, nãio são uns alunos, são Os Alunos, assim como o CP2 não é um colégio, é O Colégio. Serei eternamente grata pelo erro grotesco dos meus pais terem me posto nesse inferno, que acabou sendo o maior acerto de toda a minha vida!

Falar que amo, é pouco....

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