sábado, 28 de fevereiro de 2009

Um relato pessoal

Um dia resolveu mostrar-se ao mundo.

Decidiu que através das palavras explicaria sobre si mesma.

Tentou começar por ‘alta’, mas isso notava-se de longe, dispensando qualquer anotação. Tentou continuar com ‘grossa’, mas decidiu que isso era desimportante, quando o mundo podia percebê-la como alguém muito maior que tal limite. Pensou ainda em se dizer ‘amiga’, ‘leal’, ‘carinhosa’ ou ‘sensível’ , mas concluiu que mostrando tão facilmente tais qualidades, podia se tornar vulnerável demais. E se se revelasse por ‘inteligente’??Não, poderia ser temida, não queria ser temida, ao menos não por todos. Quis descrever-se por alegre, mas duvidou que quem pouco a conhecesse, acreditasse.

Se atribuira diversos substantivos e adjetivos, ora louca, ora séria, ora idiota e palhaça, ora mal-humorada e estressada. Se dizia bagunceira e reclamona, inconstante e até irresponsável. Se revelando por vezes menina, por outras mulher.

Porém foram tentativas furtivas e frustradas, as palavras escritas, logo em seguida eram rabiscadas.

Cogitou então falar sobre seus planos. Quem sabe ao citar sua vontade louca, de como Che Guevara, viajar pela América latina, ficasse evidente a vertente socialista que lhe impregna a alma idealista, mesmo fazendo uso do capitalismo em sua forma mais selvagem. Ou dizer sobre seu jeito semi revoltado, que odeia convenções e etiquetas, meio moleca, efusiva, de voz quase sempre alta.

Pensou em falar sobre suas paixões, sobre seu samba, sobre como ama viver nesse Rio de Janeiro lindo, principalmente na praia e no verão ou ainda sobre como será eternamente uma aluna do Pedro II.

E no final de sua autodescrição, na folha, ainda não havia nada, pois tudo o que escrevia, julgava insuficiente. Notou então que se descrevendo, não conseguiria alcançar coisa alguma. Pois palavra alguma é capaz de atingir a essência de um ser, posto que nada é a mesma coisa sempre, posto que tudo e todos mudam constantemente. E com ela, não haveria de ser diferente. Seu mistério e encantamento (se é que havia algum) teriam que ser descobertos além das palavras. Não por ela ser especial, mas por ser ela, única, ser ela, simplesmente, ELA.

0 Pensamentos: