Uma pergunta feita por muitos:
Qual é a graça de ver 22 homens num campo, correndo atrás de uma bola, com o único objetivo de encaixá-la no gol?
Esta questão, sinceramente, eu até consigo entender, uma vez que tem toda uma análise tática da montagem do time, há as trocas de passes que poderiam ser vista em espetáculos de balé e até as brilhantes atuações de alguns jogadores que fingem ter sofrido uma falta ou um pênalti, que arrancariam aplausos nos tablados de teatros. E dependendo do ponto de vista. Pode ser visto certa graça nisso.
Porém acho que o que realmente intriga não só a mim, mas também a todos os não admiradores de futebol, não são os objetivos estranhos, comuns a jogos, mas sim o alvoroço que se cria a cada lance apitado errado ou os pulos de alegria a cada lance ministrado com sucesso, intriga a devoção, amor e paixão destinados a um mero time, intriga as lágrimas de emoção e as provocações trocadas efusivamente entre torcedores de times adversários.
Para os não admiradores de futebol, essa relação de torcedor-time, deve parecer algo tão irracional quanto os ‘jogos’ do Coliseu. Mas eu digo que não, o amor pelo time não é algo doentio ou grotesco como as batalhas cerradas no Coliseu, embora eu acredite que alguns conceitos da irracionalidade caberiam a esta relação, já que este sentimento citado, amor, não é racional, não tem origem, começo, meio nem fim, ninguém sabe o porque dele existir, ninguém sabe de onde vem e pra onde vai. Só se sabe que ele existe, e que é sentido.
Vejo aí o encantamento do futebol, o encantamento de ter um time, pois este nos traz alegrias, por vezes decepções, mas que em seguida são superadas pela expectativa, pelo desejo da superação, é como um filho ao qual você quer bem, e que acompanha a sua jornada com o coração na mão, sorrindo e chorando junto com ele. É como um melhor amigo, pelo qual você sempre irá brigar.É como um pai, o qual você admira a coragem e se encanta com as histórias dele contadas.
E longe de mim induzir-te a pensar que um time supre as ausências da vida, não, é claro que não supre, mas ele, num único e ímpar sentimento, consegue unir todas as presenças, te fazendo saborear todos esse misto de sensações. Um sentimento singular, incrível e particular.
E pra que perder tempo tentando explicá-lo posto que é irracional, incompreensível e imensurável? Diga-me pra que tentar explicá-lo, se de fato, nós que não amamos o futebol, mas sim o nosso time, já temos todas as devidas explicações? Já que sabemos que é puro e simples, amor?
(Visão EXTREMAMENTE pessoal e feminina, vista do ponto sentimental e só, somente só.)
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