Em toda a minha história escolar levei apenas duas advertências, ambas coletivas. A primeira por chegarmos atrasados da aula de Educação Física, a outra por ninguém da turma querer entregar quem foi que jogou giz na professora e miou logo em seguida. Um motivo nobre, ainda que patético, e principalmente de fácil justificativa em casa.
É notório portanto que não foram advertências muito emocionantes ou preocupáveis.
Sempre fui mesmo muito de seguir as regras, de andar direito. Só mudei um pouco no ensino médio, mas só porque os professores não ligavam pra nada mesmo, ficar em sala ou fazer dever já não era obrigações, mas sim diretrizes, logo quando eu fiz a professora de artes chorar e quando provoquei uma insurreição de metade da turma contra o professor de biologia, não foi propriamente porque eu me revoltei.
Eu sempre fui tão certinha que na 5° série chorei desesperadamente porque esqueci de fazer o dever de ciências e a professora ia passar vendo de caderno em caderno. A Amanda tentava me convencer de ir ao banheiro ou trocar de lugar, que a professora não ia nem perceber. Mas eu estava mais preocupada em chorar com cara de culpada. Na 6° série também fiz um drama parecido, porque eu fui comparar as respostas de um teste de geografia e as minhas estavam diferentes das de todo mundo. Fui procurar a professora às lágrimas e acho que mais por pena do que por merecimento ela acabou me dando uma das maiores notas. E na escola embora eu desse cola, nunca me possibilitei fazer isso! Achava um grande absurdo.
O auge da minha rebeldia acadêmica era escalar do campo de futebol de areia para o prédio da Direção Geral ou descer para saída do Pedrão pela sala de música.
Sabe aquela fase de paixão por um ídolo adolescente e de mais tarde, ou na mesma época começar a se permitir a se descobrir mulher e então passar a se interessar pelos garotinhos da sala ou da rua o que logo resulta no primeiro namoradinho? Pois bem, também não tive isso. Sempre estive muito mais preocupada com a imagem que eu tinha que passar e a segurança que eu tinha que ter. Pra mim 'ficar' era coisa de menina vulgar, e amar machucava. Fora que eu ainda acreditava naquela coisa de príncipe encantado (malditos desenhos da Disney). Então nunca me permiti nada disso, era de um conservadorismo absurdo para a minha idade. Sempre fui a aluna e filha exemplar. Notas altas, bom comportamento.
E agora eu me pergunto. E o que eu ganhei com tudo isso?
Que mal me teria feito matar uma aula ali ou outra aqui e sentir o gostinho da adrenalina do medo de ser descoberta? Que mal teria eu ter dado uma resposta bem dada prum professor arrogante quando ele mais merecia? Qual seria o problema de eu dar uma coladinha só pra tirar a dúvida da questão que eu não sabia? Uma advertência!? Uma falha perante os meus pais?! Um sinal de inferioridade em relação aos outros alunos?! E porque diabos eu com menos de 15 anos me importava em parecer vulgar?
Cara, FODA-SE tudo issooo!
Porque sabe mesmo o que eu ganhei com essas frescuras? Uma porra de história vazia. De fases não vividas, de etapas puladas, de coisas não feitas e de arrependimentos irreparáveis.
Você desde que nasce é bombardeado de regras de conduta, de normas morais, de ínúmeros dever ser. É implantado na sua cabeça o padrão de como você deve se comportar se quiser um dia ser um cidadão respeitado. Mas esquecem de te falar que você ainda é novo demais pra se preocupar tanto com isso. Não te falam que você pode errar e que deslizes não só são permitidos e como são também a melhor forma de aprender. Não te dizem "vai lá e se diverte, mas com responsabilidade", só te falam a parte do "responsabilidade".
Então você não só perde toda uma história, toda uma fase boa, como perde também as melhores oportunidades de aprender. Porque te disseram tanto qual era o certo, e você empreendeu tanto tempo em tentar seguí-lo, que acaba não descobrindo por si mesmo como agir e lidar com a situações de acordo com o seu próprio ser, seu próprio saber de vida, pois você está sempre seguindo o saber dos outros.
Então você não só perde toda uma história, toda uma fase boa, como perde também as melhores oportunidades de aprender. Porque te disseram tanto qual era o certo, e você empreendeu tanto tempo em tentar seguí-lo, que acaba não descobrindo por si mesmo como agir e lidar com a situações de acordo com o seu próprio ser, seu próprio saber de vida, pois você está sempre seguindo o saber dos outros.
Não tem aquela velha história de se você obedecer todas as regras, acaba perdendo toda a diversão?
Pois é. Eu deveria ter acreditado nela desde a primeira vez que eu a ouvi.


2 Devaneio(s) Alheio(s):
Compartilho completamente dos pensamentos.E agora, será que a gente pode ter uma história, ou nossa idade não permite mais essas atitudes?¬¬'
Beijos! Te adoro.=)
Concordo plenamente com vc. Só acho que as vezes isso não tá nas nossas mãos...
=)
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