Distraidamente passeava os meus olhos pelo lugar. Até que sem querer, mesmo sem procurar, eles encontraram você.
Foi um milésimo de segundo, talvez menos, mas eu me assustei. Não estava esperando você me olhar assim. Meu cabelo estava bagunçado, minha expressão era de uma lunática. E além de tudo eu ainda não tinha me preparado piscicologicamente. É claro que você não poderia saber, mas é que a minha insegurança e timidez precisam ser metodicamente treinadas para situações como essas. E foi tão rápido, tão breve..e o susto foi tão grande!, que sem nem pensar, meus olhos, como um animal esquivo, correram pra bem longe dos seus.
Você me viu? A gente se olhou? Fiquei na dúvida. Tinha que saber. Tinha que olhar de novo. Olhei.
Você sorria...Ai como eu queria esse seu sorriso só pra mim. Desejo egoista, eu sei. Mas assim sou eu, com-ple-ta-men-te egoista. Egoismo de quem quer acordar todos os dias com esse sorriso só pra mim, só por mim. Me brindando com essa beleza calma e sincera que dele emana exclusiva e propositalmente para o meu deleite e de mais ninguém. Passaria o dia te admirando sorrir.
Mas sorrindo...Por que sorria? Será que notou meu olhar? Ria ou sorria? Ria de mim? Ou sorria pro moço que vinha lhe cumprimentar?
Fiquei sem saber se seus olhos também teriam encontrado os meus. Será que encontraram? Deve ter me achado uma boba. Será que não? Ai, tomara que sim...
Nossa! Mas como ele sorri lindo! Eu não podia ter desviado o olhar.
Matuta besta.
Matuta besta.


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